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Carro 0km a R$ 175 mil: por que está tão difícil comprar?

Com juros de financiamento passando de 27% ao ano, o carro novo virou artigo de luxo. Entenda o cenário e descubra uma alternativa para não cair em armadilhas.

Por: Guilherme de Almeida Bufoni
28/01/2026

Se você anda pesquisando preços de carros zero-quilômetro e a cada visita à concessionária sente aquele calafrio na espinha, saiba que a sensação é geral. O sonho de tirar um carro novinho da loja parece ter estacionado em um patamar de preço que assusta muita gente. O valor médio de um carro novo no Brasil já bate na casa dos R$ 175 mil!

Chave de carro zero-quilômetro na mão de uma pessoa.
Como planejar para comprar um carro zero-quilômetro (Fonte: borainvestir.b3.com.br)

Essa não é só uma percepção sua. A realidade é que, com esses valores e juros nas alturas, menos de 15% da população brasileira hoje tem condições de comprar um carro 0km. Mas calma, não é só notícia ruim. Continue lendo que vamos te mostrar não só o porquê disso, mas também uma luz no fim do túnel que pode mudar o jogo a seu favor.


A dura realidade dos números

Vamos direto aos fatos: o mercado automotivo brasileiro parece ter encontrado um teto. As vendas estão estagnadas, e os motivos são claros como água. De um lado, temos o preço médio de R$ 174,6 mil. Do outro, uma taxa de juros para financiamento que ultrapassa os 27% ao ano.

Imagem de carro em uma concessionária.
Concessionária de carros mostrando modelos novos (Fonte: Desconhecida)

Essa combinação explosiva criou um cenário onde apenas consumidores das classes A e uma pequena parte da classe B conseguem, de fato, fechar negócio. Para a grande maioria, a conta simplesmente não fecha no fim do mês.


Mas, afinal, por que os carros estão tão caros?

Vários fatores ajudam a explicar essa escalada de preços. Não é apenas a inflação. Os carros de hoje são muito mais tecnológicos e seguros do que os de antigamente, e isso tem um custo.

Ilustração de economia com mão colocando moeda em casa.
Ilustração de economia para adquirir bens duráveis (Fonte: investnews.com.br)
  • Novas tecnologias obrigatórias: Leis de segurança e de controle de emissões exigem que os carros venham com mais equipamentos, como controles de estabilidade e sistemas que poluem menos. Tudo isso agrega valor e, consequentemente, preço.
  • A febre dos SUVs: O gosto do brasileiro mudou. A preferência agora é pelos SUVs, que são naturalmente mais caros que os hatches compactos que dominavam o mercado anos atrás. Como a procura é maior por eles, os preços sobem.
  • Produção e escala: Sem um volume de vendas muito alto, a indústria não consegue os ganhos de produtividade que ajudariam a baixar os custos de produção.

Até mesmo programas de incentivo do governo, como o “Carro Sustentável”, que reduziram impostos para alguns modelos, tiveram um impacto limitado. Os descontos foram pequenos e, curiosamente, a maioria das vendas desses carros mais “em conta” foi para empresas, e não para o consumidor comum.


A armadilha do financiamento: leve 1, pague quase 2

Para quem não tem o valor total na mão, o financiamento parece a única saída. Mas é aí que mora o perigo. É quase como uma promoção às avessas.

Vamos a uma simulação prática para você entender o tamanho do rombo.

Imagine um carro que custa R$ 100.000 na concessionária. Você, como a maioria das pessoas, decide dar uma entrada de 20%, ou seja, R$ 20.000.

Logotipo do site motor1.com.
Fonte de informações sobre o mercado automotivo (Fonte: Desconhecida)

O restante, R$ 80.000, será financiado em 60 meses (5 anos). Com a taxa de juros média atual do mercado, que gira em torno de 2,12% ao mês, a sua parcela mensal ficaria em aproximadamente R$ 2.140.

Agora, a parte que dói: multiplicando essa parcela por 60 meses, você terá pago quase R$ 130.000 só de parcelas. Somando com os R$ 20.000 da entrada, o seu carro de R$ 100 mil saiu por quase R$ 150 mil. É muito dinheiro só de juros, não acha?


E se você usasse os juros a seu favor?

Parece loucura, mas é possível. Em vez de pagar juros para o banco, você pode fazer o dinheiro trabalhar para você. A ideia é simples: em vez de se comprometer com uma parcela de financiamento, você investe esse mesmo valor todos os meses.

Vamos a outro exemplo. Pense num carro de R$ 150 mil. Para financiá-lo em 60 meses, a parcela seria de uns R$ 3.800. No final, você pagaria R$ 228 mil, sendo R$ 78 mil só de juros!

Carro em alta velocidade na estrada.
Vantagens do investimento sobre o financiamento de veículos (Fonte: investnews.com.br)

Agora, a mágica: se você pegasse esses mesmos R$ 3.800 por mês e aplicasse em um investimento conservador que acompanha a taxa de juros básica (a Selic), você conseguiria juntar os R$ 150 mil em apenas 33 meses. É quase metade do tempo, e você não daria um centavo de juros para ninguém.

Existem opções seguras e acessíveis para isso, como o Tesouro Selic ou CDBs de bancos, que são protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O segredo é ter disciplina e planejamento.

O cenário para comprar um carro novo no Brasil é, sem dúvida, desafiador. Os preços altos e os juros proibitivos afastaram boa parte dos consumidores. Contudo, entender essa realidade é o primeiro passo para não cair em armadilhas financeiras.

Em vez de ver o financiamento como a única opção, que tal considerar um novo caminho? Com planejamento, os juros que antes eram os grandes vilões podem se tornar seus melhores aliados para, enfim, colocar aquele carro cheirando a novo na sua garagem. A escolha inteligente pode levar um pouco mais de tempo, mas a recompensa para o seu bolso será enorme.

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