Você olha o preço dos carros zero quilômetro e sente aquele aperto no peito? Se a pergunta “por que os carros são tão caros no Brasil?” não sai da sua cabeça, saiba que você não está sozinho. A verdade é que a era do carro popular e acessível parece ter ficado para trás, e a chance de os preços voltarem ao que eram é praticamente nula.
A explicação não é uma só, mas uma combinação de fatores que criou a tempestade perfeita para o nosso bolso. Estamos falando de uma carga tributária gigante, carros que ficaram mais “parrudos” e caros de fazer, e uma mudança de estratégia das próprias montadoras. Mas a culpa não é só do governo. No final, vamos revelar um detalhe sobre o lucro de quem fabrica os carros que pode te surpreender.
Vamos direto ao ponto: os impostos são os grandes vilões dessa história. Dependendo do modelo, a carga tributária pode representar de 30% a quase 50% do valor que você paga na concessionária. Em carros importados, essa fatia pode superar 60% ou até 70%.
Para ter uma ideia do que isso significa na prática, imagine um carro como o Chevrolet Onix, que custa cerca de R$ 84 mil. Sem os impostos, o valor dele cairia para perto de R$ 43 mil. É isso mesmo: você paga quase o preço de dois carros, mas leva apenas um para casa. O outro, metaforicamente, fica com o governo.
Essa realidade fica ainda mais clara quando olhamos para fora. Enquanto nos Estados Unidos os impostos sobre carros ficam entre 6% e 7,5%, e em países vizinhos como a Argentina giram em torno de 21%, por aqui a conta é muito mais salgada. Essa diferença brutal ajuda a explicar por que o Brasil foi considerado o 5º país mais caro do mundo para se ter e manter um carro.
A sopa de letrinhas é grande, mas os principais tributos que encarecem seu carro são:
E isso sem contar o IPVA e o licenciamento, que você precisa pagar todos os anos apenas para poder rodar com o carro que já foi tão taxado na compra.
Além dos impostos, o próprio carro mudou. Lembra dos modelos populares dos anos 90, leves e simples? Eles deram lugar a veículos muito mais seguros, tecnológicos e, consequentemente, pesados. Nos últimos anos, a média de peso dos carros aumentou em cerca de 300 kg.
Esse “peso extra” vem de mais aço na estrutura, itens de segurança obrigatórios como airbags e freios ABS, controles de estabilidade e tração, centrais multimídia e uma infinidade de componentes eletrônicos. Toda essa evolução é ótima para a nossa segurança e conforto, mas tem um custo de produção que é inevitavelmente repassado para a etiqueta de preço.
Se você acha que as montadoras estão desesperadas para vender mais e baixar os preços, pense de novo. Durante a pandemia, com a crise de componentes, elas perceberam algo importante: é mais lucrativo vender menos carros, mas com uma margem de lucro maior em cada um.
Imagine um vendedor que descobre que ganha mais vendendo 10 produtos de luxo do que 100 produtos populares. A lógica é a mesma. O foco mudou do volume para a rentabilidade. Por isso, vemos tantos lançamentos de SUVs e picapes, que são mais caros e lucrativos, enquanto os modelos de entrada se tornam cada vez mais raros e caros.
Muitos se apegam à esperança de que os carros elétricos e híbridos vão baratear o mercado. Infelizmente, essa não é a realidade no curto prazo. Hoje, esses modelos ainda são muito caros para a maioria da população, com híbridos plug-in dificilmente saindo por menos de R$ 160 mil.
Além do custo das baterias e da falta de infraestrutura de recarga, os impostos de importação para esses veículos, que estavam zerados, começaram a voltar em 2024 e vão aumentar gradualmente até 2026. Ou seja, eles também não escaparão da alta carga tributária brasileira.
Depois de tudo isso, é natural pensar que as montadoras estão nadando em dinheiro. Mas aqui vem o detalhe que prometemos no início. Embora elas tenham mudado a estratégia para lucrar mais, a margem de lucro em cada carro vendido no Brasil costuma variar entre 5% e 10%. Em alguns modelos, o lucro é mínimo ou elas chegam até a ter prejuízo.
Agora, compare essa margem com a fatia de quase 50% que fica com o governo em forma de impostos. Fica claro quem é o maior “sócio” na venda de cada carro no país.
Diante desse cenário, não é surpresa que o mercado de seminovos e usados esteja seis vezes maior que o de novos. Para milhões de brasileiros, essa deixou de ser uma opção para se tornar a única porta de entrada para ter um carro na garagem. E, ao que tudo indica, essa será a nossa realidade por um bom tempo.
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