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Carros PCD: Teto sobe para R$ 200 mil, mas regra muda tudo

A notícia do aumento do teto para R$ 200 mil animou muita gente, mas uma mudança crucial na Reforma Tributária pode excluir até 95% dos beneficiários. Entenda o que está em jogo!

Por: Guilherme de Almeida Bufoni
17/12/2025

Vamos direto ao ponto: o cenário para a compra de carros por Pessoas com Deficiência (PCD) está passando por uma grande transformação. A notícia que mais chamou a atenção foi o aumento do teto para a compra de veículos com isenção, que saltou para R$ 200 mil. Uma ótima novidade, não é mesmo? Afinal, o limite anterior, na prática, já não acompanhava a realidade dos preços do mercado.

Pessoa com deficiência preparando-se para entrar no carro.
Pessoa com deficiência preparando-se para dirigir um veículo com possíveis adaptações. (Fonte: Desconhecida)

Além disso, outras mudanças positivas foram aprovadas:

  • Isenção total: O limite para a isenção completa de impostos como IPI e ICMS subiu de R$ 70 mil para R$ 100 mil. Isso já ajuda, pois hoje não existem carros zero quilômetro abaixo dos R$ 70 mil.
  • Isenção parcial: Para carros que custam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, a isenção de IPI é mantida, e o ICMS pode ter um desconto parcial, dependendo das regras de cada estado.
  • Prazo para troca: O tempo mínimo para vender o carro e solicitar o benefício novamente foi reduzido de quatro para três anos, dando mais flexibilidade.

Até aqui, tudo parece ótimo. Mas, como em um roteiro de filme, há uma reviravolta que pode mudar completamente essa história para a grande maioria das pessoas.

Novo Nissan Kicks na estrada.
Novo Nissan Kicks é uma opção para isenção parcial na faixa de até R$ 200 mil. (Fonte: Desconhecida)

O Balde de Água Fria: A Nova Regra da Reforma Tributária

Sabe aquela sensação de que a notícia é boa demais para ser verdade? Pois é. Junto com essas boas novas, a Reforma Tributária trouxe uma mudança que está tirando o sono de muita gente.

A nova regra é clara e direta: a partir de agora, a isenção de impostos será concedida apenas para veículos que necessitem de adaptações.

Volkswagen T-Cross em fundo neutro.
Volkswagen T-Cross, uma alternativa para veículos automáticos dentro do novo teto. (Fonte: Desconhecida)

Isso mesmo. Ter apenas câmbio automático e direção assistida não será mais suficiente para garantir o benefício. Essa alteração é tão impactante que associações do setor estimam que entre 80% e 95% das pessoas com deficiência que hoje têm direito à isenção podem perdê-lo.

Para ilustrar, imagine a seguinte situação: uma pessoa que teve a perna esquerda amputada consegue dirigir um carro automático normalmente, sem precisar de adaptações. Com a nova regra, ela perde o direito à isenção. Já uma pessoa com a perna direita amputada, que precisa instalar o acelerador e o freio no volante, continuará tendo o benefício. É uma mudança que gerou muita polêmica e um sentimento de injustiça.

Chevrolet Onix em movimento em estrada.
Chevrolet Onix Premier, veículo com boa aceitação entre modelos isentos. (Fonte: Desconhecida)

Quem Perde o Benefício na Prática?

Se você tem hérnia de disco, artrose, esclerose múltipla ou outra condição que causa dor e dificulta o uso de um carro com embreagem, mas não exige uma adaptação física no veículo, essa notícia pode ser desanimadora. É exatamente esse grupo, que representa a maioria dos beneficiários atuais, que será mais afetado.

Especialistas da área veem essa mudança como um grande retrocesso. A facilidade de dirigir um carro automático, para muitas pessoas com mobilidade reduzida, não é um luxo, mas uma necessidade para garantir autonomia, ir ao trabalho e realizar tarefas do dia a dia. Com a nova regra, as famosas "versões PCD" que as montadoras ofereciam devem simplesmente desaparecer do mercado.


Afinal, por que a Regra Mudou?

Você deve estar se perguntando o motivo dessa mudança tão drástica. A justificativa principal parece ser arrecadatória, já que o número de pedidos de isenção vinha crescendo. Além disso, o governo alega que a medida visa direcionar o benefício para quem realmente precisa de um carro adaptado, evitando que pessoas sem essa necessidade específica se aproveitem do desconto.

No entanto, a decisão acaba prejudicando milhares de pessoas que, embora não precisem de um pomo no volante ou de um acelerador à esquerda, dependem do carro automático para ter uma vida com mais qualidade e menos dor.


E os Carros? Como Fica a Escolha do Veículo?

Com toda essa confusão, a pergunta que fica é: quais carros eu ainda posso comprar? A resposta agora depende diretamente da sua necessidade de adaptação, comprovada por laudo médico.

Considerando apenas o novo teto de preço, o leque de opções se abre bastante, incluindo diversos modelos de hatches, sedãs e até SUVs. Para a isenção total, até R$ 100 mil, a lista é bem restrita, com pouquíssimas opções no mercado, como o Renault Kwid E-Tech (elétrico), que se encaixa nesse valor.

Hyundai HB20 sendo conduzido ao pôr do sol.
Hyundai HB20, considerando o novo teto, está entre as opções. (Fonte: Desconhecida)

Para a faixa de isenção parcial, até R$ 200 mil, a variedade de modelos automáticos é grande. O grande "porém" é que, para ter o desconto em qualquer um deles, será preciso comprovar a necessidade de uma adaptação veicular específica.

O cenário ainda pode ter novos capítulos, já que a mudança pode ser contestada na Justiça. Por enquanto, o que temos é uma mistura de alívio pelo novo teto e muita preocupação com as novas exigências. Resta a torcida para que o acesso a um direito tão importante seja garantido para quem realmente precisa, sem criar barreiras onde deveria haver pontes.

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