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CEO da Ford alerta: chineses podem tirar todos do mercado

O chefão da Ford, Jim Farley, soou o alarme: a China pode dominar o mercado automotivo. Entenda por que essa ameaça é maior que a japonesa nos anos 80!

Por: Guilherme de Almeida Bufoni
08/11/2025

Sabe quando o capitão de um navio gigante soa o alarme de que há um iceberg bem à frente? É mais ou menos isso que Jim Farley, o chefão da Ford, está fazendo pelo setor automotivo. Ele não está apenas preocupado com a concorrência; ele está falando de uma “ameaça existencial” que pode, nas palavras dele, “nos tirar todos do mercado”. E o mais curioso? Ele mesmo dirige um carro chinês para, segundo ele, “conhecer o inimigo”.

Jim Farley, presidente da Ford, falando sobre ameaças no setor automotivo.
Jim Farley, presidente da Ford, alerta sobre a concorrência chinesa no setor automotivo. (Fonte: Desconhecida)

Uma ameaça em escala "completamente diferente"

Se você se lembra da chegada dos carros japoneses nos anos 80 e do rebuliço que causaram, prepare-se. Farley afirma que o cenário atual é “completamente diferente” e muito maior. A preocupação não é apenas com a qualidade, mas com a capacidade de produção avassaladora das montadoras chinesas.

“Eles têm capacidade suficiente na China, com as fábricas existentes, para atender todo o mercado norte-americano e nos tirar do mercado”, declarou o executivo. “O Japão nunca teve isso. Portanto, este é um nível de risco completamente diferente para a nossa indústria.”

Carro elétrico da BYD Dolphin.
BYD Dolphin é parte da expansão das montadoras chinesas no mercado global. (Fonte: Desconhecida)

Empresas como BYD, GWM, Chery e Xiaomi não estão apenas fabricando carros; elas estão construindo um império industrial com custos de fabricação significativamente mais baixos, especialmente no domínio dos veículos elétricos (EVs).


Não é só sobre preço, é sobre tecnologia de ponta

Por muito tempo, a indústria ocidental agiu como se a revolução tecnológica que transformou outros setores jamais fosse chegar aos carros. Essa complacência, segundo Farley, chegou ao fim. E ele fala com conhecimento de causa, pois passou um tempo dirigindo um Xiaomi SU7 diariamente, não por curiosidade, mas por admiração.

Moto Honda XRE 190 modelo 2024.
Moto Honda XRE 190 de 2024 representa a inovação tecnológica no mercado. (Fonte: Desconhecida)

Ele descreve o sedã elétrico como “um carro de alta qualidade, com ótima experiência digital”. A grande vantagem, segundo ele, está na integração tecnológica. “Huawei e Xiaomi estão em praticamente todos os veículos. Quando você entra, o carro reconhece automaticamente seu perfil e integra toda a sua vida digital, sem necessidade de pareamento”, destacou.

Esse é um ponto crucial: a disputa vai muito além do motor elétrico. É uma competição global por quem oferece a melhor e mais integrada experiência digital sobre rodas.

Moto elétrica Yadea Keeness em movimento.
A Yadea Keeness exemplifica a integração tecnológica em veículos elétricos. (Fonte: Desconhecida)

A expansão global já começou

Enquanto altas tarifas protegem temporariamente o mercado americano, a expansão chinesa avança a todo vapor em outras partes do mundo. É como uma onda que começa a se formar longe da costa, mas que todos sabem que vai chegar.

Basta olhar para os nossos vizinhos para entender o cenário:

Carro BYD Dolphin em uma garagem.
O BYD Dolphin mostra presença crescente em mercados com menos barreiras. (Fonte: Desconhecida)
  • No México, marcas como BYD, MG, GWM, Chery e JAC já abocanharam 7,7% do mercado em 2024.
  • No Panamá, a participação chinesa é ainda mais impressionante, chegando a 26%.

Essa estratégia de conquistar mercados com menos barreiras tarifárias demonstra a agilidade e a agressividade com que essas empresas operam, conquistando rapidamente os consumidores com produtos tecnológicos e acessíveis.


Uma lição de humildade para as gigantes

O alerta de Farley soa como um chamado à realidade para uma indústria que, por vezes, pareceu alheia ao que acontecia do outro lado do mundo. A Ford não está sozinha nessa corrida. O grupo Stellantis (dono de Fiat e Jeep) já abriu espaço para a chinesa Leapmotor, e a Chevrolet também tem projetos em parceria com a Baojun.

Curiosamente, vender um modelo de origem chinesa não é novidade nem para a própria Ford. O SUV Territory, que chegou ao Brasil em 2020, nasceu de uma parceria com a chinesa Jiangling Motors Corporation (JMC).

A fala do CEO da Ford não é um sinal de pânico, mas um reconhecimento de que o jogo mudou. As montadoras tradicionais estão correndo contra o tempo para acelerar suas próprias estratégias, no que Farley chamou de seu próprio “Momento Modelo T” para a era elétrica. A grande questão que fica no ar é: será que as gigantes ocidentais conseguirão se adaptar a tempo, ou estamos testemunhando o início de uma nova ordem mundial no universo dos carros?

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