Pode respirar fundo, porque a notícia não é das mais animadoras. Além das preocupações de início de ano, como o IPVA, os motoristas brasileiros terão mais um motivo para ficar de olho nas despesas: a partir de 1º de janeiro de 2026, a gasolina, o diesel e até o gás de cozinha ficarão mais caros em todo o país.

E antes que você pense que a culpa é da Petrobras ou do preço do petróleo no mercado internacional, saiba que a história é outra. O aumento vem de uma mudança tributária que já está com data marcada para acontecer. Esse reajuste vem logo depois de um ano em que uma prometida queda no preço da gasolina simplesmente não aconteceu, o que torna o cenário ainda mais frustrante.
O grande responsável pelo aumento é o ICMS, o imposto estadual que incide sobre os combustíveis. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou uma nova alíquota fixa para o imposto, que entrará em vigor no primeiro dia de 2026.

Desde 2022, o cálculo do ICMS mudou. Em vez de ser uma porcentagem sobre o preço, ele passou a ser um valor fixo por litro ou quilo. Essa é a chamada alíquota ad rem. O problema é que 2026 será o segundo ano consecutivo em que esse valor fixo é reajustado para cima, consolidando uma tendência de alta que afeta a todos nós.
Vamos ao que realmente interessa: quanto a mais vamos pagar? Se o aumento do imposto for repassado integralmente para o consumidor final, os valores serão os seguintes:

É importante lembrar que esses valores se referem apenas ao reajuste do imposto. Outros fatores, como o câmbio e o preço internacional do petróleo, podem influenciar ainda mais o preço final que você vê na bomba.
Para entender a frustração de muitos motoristas, precisamos voltar um pouco no tempo. Em 2025, houve uma grande expectativa de que a gasolina ficasse mais barata com o aumento da mistura de etanol de 27% para 30% (a chamada E30). A promessa era de uma queda de até R$ 0,20 por litro.

Mas o que aconteceu na prática? Quase nada. O preço médio do litro começou 2025 em R$ 6,17 e terminou o ano em R$ 6,19. A economia prometida nunca chegou ao bolso do consumidor. O motivo foi que o próprio etanol anidro ficou mais caro, e seu aumento de preço acabou anulando o benefício da nova mistura. Ou seja, não só o preço não caiu como prometido, como agora já temos um aumento garantido para 2026.
Você pode pensar que, se não tem carro, esse aumento não te afeta tanto. Mas não é bem assim. O reajuste do diesel, mesmo parecendo pequeno (apenas R$ 0,05), é o que mais preocupa os economistas.

O Brasil depende majoritariamente do transporte rodoviário para escoar sua produção. Com o diesel mais caro, o custo do frete sobe. E quem paga essa conta? Todos nós. Esse custo extra é repassado para os preços dos produtos nas prateleiras dos supermercados, principalmente alimentos, pressionando a inflação logo no início do ano.
Como alertou a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis), a tendência é que o reajuste tenha impacto em toda a cadeia econômica do país.
Portanto, a virada para 2026 já chega com um desafio claro. O aumento nos combustíveis é certo e tem origem puramente tributária. Resta a nós, consumidores, ficarmos de olho, pesquisar preços e, claro, preparar o orçamento para o que vem por aí.
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