Vamos direto ao ponto: não, o aumento não veio do nada. Ele é, na verdade, a etapa final de um cronograma de retomada gradual que começou lá em 2023. O objetivo do governo é bem claro: incentivar as montadoras a produzirem seus carros elétricos e híbridos aqui mesmo, em solo brasileiro. Foi um pedido antigo das fabricantes já instaladas no país para equilibrar a competição com os modelos que chegam prontos de fora, principalmente os chineses.

Para você ter uma ideia da escalada, a evolução das alíquotas foi a seguinte:
A regra agora é única e nivela todo mundo por cima, acabando com a diferenciação por tipo de tecnologia na hora de importar.

Essa é a pergunta que não quer calar, não é mesmo? A verdade é que a resposta ainda está no ar e vai depender muito da estratégia de cada marca. O setor de eletrificados vive um momento de crescimento impressionante, com mais de 44 mil unidades emplacadas só em maio de 2026. Com tanta concorrência, algumas montadoras podem optar por "segurar a bronca" e absorver parte do aumento para não perder clientes.
Outras, no entanto, podem repassar o custo diretamente para o preço final na concessionária. Vimos algumas marcas, como a BYD, se antecipando e formando estoques para tentar amenizar o impacto inicial. Mas, a longo prazo, a pressão sobre os preços dos importados é inevitável.

Essa mudança também acende um alerta para empresas com frotas corporativas, que precisam recalcular seus investimentos e projeções financeiras na hora de renovar os veículos.
Se por um lado o imposto aperta, por outro ele acelera uma transformação incrível na nossa indústria. A nova alíquota torna a produção local não apenas uma opção, mas uma necessidade para quem quer se manter competitivo. E as montadoras já estão se mexendo!

A BYD já iniciou a montagem de carros em Camaçari (BA), e a GWM opera sua fábrica em Iracemápolis (SP). Mas a fila não para por aí. Outras gigantes chinesas, como Geely (em parceria com a Renault), Omoda Jaecoo, MG e GAC, anunciaram planos de produção no Brasil.
Até mesmo a Chevrolet encontrou uma solução, terceirizando a montagem de alguns de seus modelos elétricos em uma linha multimarcas no Ceará. O recado é claro: o futuro da mobilidade elétrica no Brasil será cada vez mais nacional.

E aqui chegamos àquela curiosidade que prometi no início. Muitas marcas, para fugir do imposto cheio, adotaram o regime CKD/SKD. Pense nisso como comprar um móvel desmontado: as peças chegam de fora e o carro é montado aqui, pagando uma alíquota de importação bem menor.
Essa era a grande vantagem e a principal estratégia para muitas novatas. Acontece que essa "janela de oportunidade" também tem data para fechar. O governo decidiu antecipar os planos, e a tributação para esses kits de montagem também vai saltar para os mesmos 35% já em janeiro de 2027, bem antes do previsto!
Portanto, a corrida contra o tempo é dupla. Não basta apenas montar o carro no Brasil; é preciso acelerar a nacionalização das peças para escapar da nova regra. O cenário está se redesenhando completamente, e a mensagem é que, para ter um preço competitivo no futuro, não haverá outro caminho senão investir de verdade na indústria brasileira. Estamos de olho para ver como cada jogador vai se sair nessa disputa!
Como podemos melhorar ainda mais?
Como podemos melhorar?