Se você já se assustou com o valor do IPVA e ficou se perguntando por que um amigo em outro estado paga muito menos pelo mesmo carro, saiba que você não está sozinho. A diferença é real e pode ser gigantesca. Estamos falando de um cenário onde, dependendo de onde seu veículo está registrado, o valor do imposto pode ser quase três vezes maior!

Imagine um carro popular no valor de R$ 73 mil. Enquanto em um estado o proprietário desembolsa pouco mais de R$ 1.000, em outro, a conta salta para quase R$ 3.000. É uma diferença que pesa, e muito, no orçamento de começo de ano. Mas por que isso acontece? E o mais importante: existe alguma luz no fim do túnel? Fique tranquilo, vamos desvendar esse quebra-cabeça e, no final, te contar sobre uma proposta que pode virar completamente o jogo do IPVA no Brasil.
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é um imposto estadual. Isso significa que cada um dos 26 estados e o Distrito Federal tem autonomia para definir suas próprias regras: alíquotas, calendários de pagamento e até quem tem direito à isenção. O valor arrecadado é dividido entre o estado e o município de registro do veículo, sendo usado para custear serviços públicos como saúde, educação e infraestrutura.

Essa autonomia cria um cenário de grande contraste, com uma verdadeira disputa para ver quem oferece as condições mais amigáveis ao bolso do motorista.
Em 2026, alguns estados se destacam por oferecerem um alívio maior para os proprietários de veículos. O grande campeão é o Amazonas, que oficializou uma redução e agora tem alíquotas a partir de 1,5% para carros populares e motos. Na prática, nosso carro de R$ 73 mil pagaria apenas R$ 1.095 por lá.

Logo atrás, completando o pódio, temos o Paraná, que por muito tempo foi referência em imposto baixo e agora pratica uma alíquota de 1,9% (R$ 1.387 no mesmo exemplo). Estados como Santa Catarina, Espírito Santo e Acre também aparecem bem na fita, com uma taxa de 2%.
Do outro lado da moeda, geralmente nos estados mais populosos, a facada é maior. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram o ranking dos IPVAs mais caros do país, com uma alíquota de 4% sobre o valor do veículo de passeio.

Fazendo a conta para o mesmo carro de R$ 73 mil, o imposto nesses estados sobe para R$ 2.920. Isso representa uma diferença de R$ 1.825 em comparação com o Amazonas. É quase como pagar dois impostos a mais!
Para você ter uma ideia geral de como seu estado se posiciona, aqui está um resumo das alíquotas para carros de passeio em 2026:

Vale lembrar que muitos estados oferecem isenção para veículos com uma certa idade de fabricação, que geralmente varia de 10 a 20 anos, além de benefícios para pessoas com deficiência e outras categorias específicas.
Agora, vamos àquela revelação que prometemos no início. Em meio a essa disparidade de valores, tramita no Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca transformar radicalmente a cobrança do IPVA. A ideia é acabar com a “anomalia brasileira” de se cobrar um imposto caro sobre um bem que perde valor a cada ano.
A proposta se baseia em dois pilares principais:
Para compensar a perda de arrecadação, a PEC sugere um corte drástico nos gastos dos governos com publicidade institucional.
Claro, a proposta ainda tem um longo caminho pela frente até ser aprovada. Mas ela acende um debate importante: o modelo atual de IPVA é justo? Cobrar pelo peso do carro faria mais sentido do que cobrar pelo seu valor de mercado? A discussão está na mesa e pode redesenhar completamente a forma como lidamos com esse imposto nos próximos anos.
Como podemos melhorar ainda mais?
Como podemos melhorar?