Você provavelmente ouviu por aí que a isenção de impostos para a compra de carros por pessoas com deficiência (PcD) chegou ao fim. Calma, vamos respirar fundo e entender juntos o que realmente está acontecendo. A notícia não é um simples boato, mas também não é um fim completo do benefício. A verdade é que a Reforma Tributária mudou as regras do jogo, e elas ficaram bem mais restritas.

A gente sabe que essa é uma notícia que gera muita preocupação e mexe com a autonomia e o planejamento de milhares de brasileiros. Por isso, preparamos este guia completo para explicar, de forma simples e direta, o que mudou, quem será mais afetado e o que esperar daqui para frente. E já adiantamos: a mudança pode excluir a grande maioria das pessoas que hoje contam com esse direito.
A principal e mais impactante mudança é o critério para ter direito à isenção. Antes, muitas pessoas com deficiência que precisavam de um carro com câmbio automático e direção assistida para dirigir com mais conforto e segurança já conseguiam o benefício. Agora, a regra é outra.
Com a nova legislação, a isenção de impostos será concedida apenas para a compra de veículos que necessitem de adaptações externas específicas. Estamos falando de equipamentos como:
Isso significa que ter apenas câmbio automático e direção assistida não será mais suficiente para garantir o desconto. Essa alteração, segundo especialistas, representa um grande retrocesso para os direitos conquistados pela comunidade PcD.
Para entender como essa mudança pode ser injusta, imagine duas situações. Uma pessoa que teve a perna esquerda amputada consegue dirigir um carro automático sem grandes dificuldades. Pela nova regra, ela perde o direito à isenção. Já uma pessoa com a perna direita amputada, que precisa instalar comandos de acelerador e freio no volante, continua com o direito garantido. A deficiência existe nos dois casos, mas o tratamento legal se tornou diferente.
Essa nova exigência de adaptação veicular tem um impacto gigantesco. Associações e especialistas da área estimam que algo entre 80% e 95% das pessoas que hoje têm direito à isenção podem perdê-lo.
O grupo mais afetado é justamente aquele que não precisa de uma adaptação visível no carro, mas que depende da tecnologia para ter mais qualidade de vida e menos dor ao dirigir. Pessoas com condições como hérnia de disco, artrose, esclerose múltipla e diversas outras patologias que dificultam ou impedem o uso de um carro com embreagem manual estão entre as que podem ser excluídas.
A Reforma Tributária também unificou diversos impostos. O IPI, ICMS, PIS e Cofins, que antes eram considerados separadamente, darão lugar a novos tributos, como a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). Com isso, as regras de valores também mudaram.
O novo teto para a compra de um carro zero quilômetro com isenção parcial será de R$ 200 mil. No entanto, a isenção total dos novos impostos (CBS e IBS) será aplicada apenas a veículos de até R$ 70 mil.
Aqui entra um ponto crítico: hoje, praticamente não existem carros novos no mercado por R$ 70 mil. Na prática, isso significa que a isenção total se tornou quase impossível de alcançar, e na maioria dos casos, o benefício será apenas parcial, com os impostos sendo cobrados sobre o valor que ultrapassar os 70 mil.
A justificativa para o aperto nas regras seria a necessidade de controlar o impacto fiscal, já que o número de pedidos de isenção cresceu nos últimos anos. Além disso, o governo alega que a medida visa combater fraudes, onde pessoas estariam conseguindo o benefício sem uma real necessidade.
Contudo, a crítica é que a nova lei adota uma visão limitada e acaba punindo milhares de pessoas que legitimamente dependem do benefício para sua locomoção e integração social, criando uma distinção injusta dentro da própria comunidade PcD.
A mudança já faz parte da nova legislação tributária e tem validade nacional. No entanto, essa história ainda não acabou. A nova regra é considerada por muitos juristas e associações como inconstitucional, pois fere os princípios da igualdade e da dignidade humana.
O Instituto Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência Oceano Azul, por exemplo, já entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI n° 7.779) na justiça para tentar derrubar esses pontos da lei. Portanto, o cenário ainda pode mudar.
O que fica claro é que a isenção não "acabou" para todos, mas se tornou um direito para poucos. A gente sabe que são muitas informações e que a situação pode ser desanimadora. O mais importante agora é se informar corretamente e, se for o seu caso, buscar orientação para entender como as novas regras se aplicam a você. Continuaremos acompanhando de perto, pois essa história ainda promete novos capítulos.
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