Se você está pensando em comprar um carro usado, provavelmente tem uma listinha mental: checar o motor, a quilometragem, o histórico de batidas... Mas e se o carro for elétrico? Pode guardar essa lista na gaveta, porque as regras do jogo mudaram. O mercado de seminovos elétricos está esquentando no Brasil, com modelos como BYD Dolphin, GWM Ora 03 e Renault Kwid E-Tech aparecendo cada vez mais nos classificados.

Com essa nova realidade, surge uma nova preocupação que tira o sono de muito comprador: a bateria. Ela é o coração do carro elétrico e, acredite, a saúde dela se tornou o fator mais importante na hora de fechar negócio. Vamos te contar um segredo que vai mudar sua forma de olhar para um elétrico usado.
Nos carros a combustão, a gente se acostumou a usar a quilometragem como um termômetro do desgaste. Nos elétricos, o indicador da vez tem uma sigla: SOH, ou State of Health (Estado de Saúde, em bom português).

Pense na bateria do seu celular. Com o tempo, mesmo que você a carregue até 100%, ela não dura mais como quando era nova, certo? O SOH é exatamente isso: ele mede a capacidade real que a bateria ainda tem em comparação com a original de fábrica. Um SOH de 90% significa que a bateria consegue armazenar 90% da energia que armazenava quando saiu da loja.
Esse número, que não aparece no painel do carro, está se tornando a peça-chave para definir o valor de um elétrico usado. É ele que vai dizer se você está fazendo um bom negócio ou entrando numa fria.
Tudo bem, você entendeu que o SOH é importante, mas como descobrir esse número mágico? Felizmente, você não precisa de uma bola de cristal. Já existem algumas formas de investigar a saúde da bateria:
Um dos maiores medos de quem compra um elétrico é a bateria “morrer” de um dia para o outro. Pode respirar aliviado: isso é extremamente raro. A degradação da bateria é um processo lento, gradual e, na maioria das vezes, previsível. Ela envelhece, como qualquer componente, mas não costuma pregar peças.
Claro que alguns hábitos podem acelerar esse envelhecimento. O uso excessivo de carregadores ultrarrápidos, deixar o carro sempre sob sol forte ou pular as manutenções recomendadas podem cobrar seu preço. Por isso, conhecer o histórico do carro é tão fundamental.
O motivo de toda essa preocupação com o SOH fica claro quando olhamos os preços de uma bateria nova. A garantia de fábrica costuma ser longa, entre 8 e 10 anos, mas fora desse período, o custo pode assustar.
Os valores variam muito, mas para se ter uma ideia:
Pois é, em alguns casos, a bateria pode valer mais que um carro popular zero quilômetro. Agora faz sentido investigar a fundo antes de comprar, não é?
Quando a vida útil da bateria chega ao fim, surge a questão ambiental. No Brasil, o processo de reciclagem desses componentes ainda está no começo. Na prática, a maior parte das baterias de íon-lítio é coletada por empresas especializadas e exportada para ser reciclada na Europa ou Ásia, onde os metais preciosos como cobalto e níquel são recuperados.
É um mercado que tende a crescer muito nos próximos anos, mas que ainda depende de mais estrutura e de uma legislação mais clara por aqui.
No fim das contas, a chegada dos elétricos ao mercado de usados não é um bicho de sete cabeças, mas sim um sinal de que essa tecnologia veio para ficar. A diferença entre um bom negócio e uma dor de cabeça está na informação. Agora que você conhece o segredo do SOH, está muito mais preparado para encontrar seu seminovo elétrico com segurança e transparência. A nova era automotiva já começou, e a chave para um bom negócio está, literalmente, na energia da bateria.
Como podemos melhorar ainda mais?
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