Sabe aquela conversa sobre a “invasão chinesa” no mercado de carros brasileiro? Ela é real e está acontecendo agora. Se na primeira onda, lá por 2010, marcas como JAC e Chery chegaram de forma mais tímida, o cenário atual é completamente diferente. Liderada pelas gigantes BYD e GWM, essa nova fase veio com tudo, focada em eletrificação, tecnologia e planos ambiciosos de produção nacional.
Todo mundo fala do sucesso do Dolphin Mini ou do Haval H6. Mas e as outras marcas que desembarcaram por aqui mais recentemente e sem tanto alarde? GAC, Geely, Neta, Zeekr... você já parou para pensar em como elas estão se saindo? A gente foi atrás dos números e descobriu que, para cada história de sucesso, existe outra de começo bem mais discreto. E uma delas, inclusive, já virou um verdadeiro mistério.
Antes de mergulhar nos números de cada uma, é importante entender o tamanho do movimento. As montadoras chinesas já abocanharam mais de 10% das vendas no Brasil. Somando o desempenho de BYD, Caoa Chery e GWM, elas já formariam o quarto maior grupo do país, atrás apenas de gigantes como Volkswagen, Fiat e GM.
Esse avanço rápido, impulsionado por carros com design inovador e preços competitivos, está mexendo com o mercado e preocupando as montadoras tradicionais. Mas, como veremos, nem toda nova marca consegue surfar essa onda com a mesma força.
Uma das estreias mais recentes, a GAC, mostrou que tem força. Desde que iniciou suas operações em maio, a marca já emplacou 1.261 carros. Um número impressionante para tão pouco tempo de casa!
O grande destaque é o SUV híbrido GS4, que sozinho responde por mais da metade das vendas. Veja o desempenho de cada modelo:
O grupo Geely, que já é dono da Volvo, resolveu apostar pesado no Brasil com três novas marcas. Os resultados, no entanto, são um verdadeiro mix de emoções.
Quem disse que chinês só vende carro barato? A Zeekr, marca de elétricos de luxo do grupo, é a prova de que há espaço para o segmento premium. Em um ano de operação, é a mais bem-sucedida do trio Geely, com 444 emplacamentos.
A marca Geely em si, que já teve uma passagem rápida pelo Brasil no passado, voltou com o SUV EX5. As vendas ainda estão engatinhando, com 193 unidades emplacadas. O curioso é que a versão mais cara, a Max, vendeu muito mais (185 unidades) que a de entrada.
A aposta da Geely no segmento de picapes elétricas com a Riddara RD6 ainda não pegou. Desde o início das vendas em setembro, apenas 33 unidades foram emplacadas, mostrando que este nicho ainda é um desafio.
Operando juntas, mas como marcas diferentes, a dupla da Chery também mostra desempenhos variados. A Jaecoo parece ter caído mais no gosto do brasileiro, com seu SUV 7 vendendo bem mais que o elétrico da Omoda.
E aqui temos a história mais curiosa. A Neta chegou em 2024, mas sua situação atual é uma incógnita. O site oficial da marca saiu do ar, e a única concessionária está oferecendo descontos de até R$ 20.000 para queimar o estoque, enquanto a matriz na China enfrenta problemas financeiros.
Os números refletem essa situação: desde o início, foram apenas 96 carros emplacados, sendo 53 do modelo Aya e 43 do X. É um lembrete de que, nesse desembarque em massa, nem todas as marcas conseguirão se firmar.
Fica claro que a “invasão chinesa” não é um bloco único. Enquanto BYD e GWM pavimentam o caminho com investimentos pesados e volumes expressivos, as novatas vivem realidades muito diferentes. Temos desde o começo forte da GAC e o sucesso de nicho da Zeekr até os primeiros passos tímidos da Geely e o futuro incerto da Neta.
Essa é apenas a fotografia do momento. Com a promessa de chegada de mais 16 marcas chinesas até o final de 2025, a única certeza é que essa disputa está longe de terminar. Acompanhar quem vai ganhar espaço e quem vai ficar pelo caminho será um dos capítulos mais interessantes da história automotiva do Brasil nos próximos anos.
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