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Vendas das novas marcas chinesas: sucesso ou só promessa?

BYD e GWM dominam os holofotes, mas e as outras? Descubra os números de vendas de GAC, Zeekr, Neta e mais neste raio-x completo do mercado!

Por: Guilherme de Almeida Bufoni
03/10/2025

 

Sabe aquela conversa sobre a “invasão chinesa” no mercado de carros brasileiro? Ela é real e está acontecendo agora. Se na primeira onda, lá por 2010, marcas como JAC e Chery chegaram de forma mais tímida, o cenário atual é completamente diferente. Liderada pelas gigantes BYD e GWM, essa nova fase veio com tudo, focada em eletrificação, tecnologia e planos ambiciosos de produção nacional.

Concessionária GWM moderna
Concessionária da GWM destacando a presença chinesa no Brasil. (Fonte: vconcept.com)

Todo mundo fala do sucesso do Dolphin Mini ou do Haval H6. Mas e as outras marcas que desembarcaram por aqui mais recentemente e sem tanto alarde? GAC, Geely, Neta, Zeekr... você já parou para pensar em como elas estão se saindo? A gente foi atrás dos números e descobriu que, para cada história de sucesso, existe outra de começo bem mais discreto. E uma delas, inclusive, já virou um verdadeiro mistério.

O cenário geral: mais de 10% do mercado já é chinês

Antes de mergulhar nos números de cada uma, é importante entender o tamanho do movimento. As montadoras chinesas já abocanharam mais de 10% das vendas no Brasil. Somando o desempenho de BYD, Caoa Chery e GWM, elas já formariam o quarto maior grupo do país, atrás apenas de gigantes como Volkswagen, Fiat e GM.

Carro GAC com design inovador
GAC Hytec HT, um dos modelos inovadores no mercado brasileiro. (Fonte: Quatro Rodas)

Esse avanço rápido, impulsionado por carros com design inovador e preços competitivos, está mexendo com o mercado e preocupando as montadoras tradicionais. Mas, como veremos, nem toda nova marca consegue surfar essa onda com a mesma força.


GAC: a surpresa que chegou fazendo barulho

Uma das estreias mais recentes, a GAC, mostrou que tem força. Desde que iniciou suas operações em maio, a marca já emplacou 1.261 carros. Um número impressionante para tão pouco tempo de casa!

Jaecoo 7 em movimento
Jaecoo 7, um SUV popular entre os brasileiros. (Fonte: Quatro Rodas)

O grande destaque é o SUV híbrido GS4, que sozinho responde por mais da metade das vendas. Veja o desempenho de cada modelo:

  • GAC GS4: 674 unidades
  • Aion V (elétrico): 263 unidades
  • Aion Y (elétrico): 219 unidades
  • Hytec HT (o SUV com “asas de gaivota”): 86 unidades
  • Aion ES: 17 unidades

O universo Geely e suas diferentes realidades

O grupo Geely, que já é dono da Volvo, resolveu apostar pesado no Brasil com três novas marcas. Os resultados, no entanto, são um verdadeiro mix de emoções.

Picape Riddara RD6 em estrada
Riddara RD6 mostrando o desafio no segmento de picapes elétricas. (Fonte: Quatro Rodas)

Zeekr: o luxo elétrico que encontrou seu público

Quem disse que chinês só vende carro barato? A Zeekr, marca de elétricos de luxo do grupo, é a prova de que há espaço para o segmento premium. Em um ano de operação, é a mais bem-sucedida do trio Geely, com 444 emplacamentos.

  • Zeekr X: 271 unidades
  • Zeekr 001: 155 unidades
  • Zeekr 7X: 15 unidades

Geely: um retorno ainda tímido

A marca Geely em si, que já teve uma passagem rápida pelo Brasil no passado, voltou com o SUV EX5. As vendas ainda estão engatinhando, com 193 unidades emplacadas. O curioso é que a versão mais cara, a Max, vendeu muito mais (185 unidades) que a de entrada.

Riddara: a picape que ainda não decolou

A aposta da Geely no segmento de picapes elétricas com a Riddara RD6 ainda não pegou. Desde o início das vendas em setembro, apenas 33 unidades foram emplacadas, mostrando que este nicho ainda é um desafio.


Omoda & Jaecoo: operação conjunta, resultados distintos

Operando juntas, mas como marcas diferentes, a dupla da Chery também mostra desempenhos variados. A Jaecoo parece ter caído mais no gosto do brasileiro, com seu SUV 7 vendendo bem mais que o elétrico da Omoda.

  • Jaecoo 7: 692 unidades (sendo 523 da versão topo de linha)
  • Omoda E5: 236 unidades

O caso da Neta: um alerta para o mercado

E aqui temos a história mais curiosa. A Neta chegou em 2024, mas sua situação atual é uma incógnita. O site oficial da marca saiu do ar, e a única concessionária está oferecendo descontos de até R$ 20.000 para queimar o estoque, enquanto a matriz na China enfrenta problemas financeiros.

Os números refletem essa situação: desde o início, foram apenas 96 carros emplacados, sendo 53 do modelo Aya e 43 do X. É um lembrete de que, nesse desembarque em massa, nem todas as marcas conseguirão se firmar.


O que os números nos dizem?

Fica claro que a “invasão chinesa” não é um bloco único. Enquanto BYD e GWM pavimentam o caminho com investimentos pesados e volumes expressivos, as novatas vivem realidades muito diferentes. Temos desde o começo forte da GAC e o sucesso de nicho da Zeekr até os primeiros passos tímidos da Geely e o futuro incerto da Neta.

Essa é apenas a fotografia do momento. Com a promessa de chegada de mais 16 marcas chinesas até o final de 2025, a única certeza é que essa disputa está longe de terminar. Acompanhar quem vai ganhar espaço e quem vai ficar pelo caminho será um dos capítulos mais interessantes da história automotiva do Brasil nos próximos anos.

 

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