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Yangwang U9: Dirigimos o hipercarro chinês de 1.305 cv

Ele supera a Ferrari, bate recordes do Bugatti e ainda por cima dança e salta! Conheça todos os detalhes e as sensações ao volante do incrível BYD Yangwang U9.

Por: Guilherme de Almeida Bufoni
22/11/2025

Imagine contar para um amigo, alguns anos atrás, que o carro de produção mais rápido do mundo seria chinês e elétrico. Provavelmente, ele daria uma risada. Pois bem, essa realidade chegou e tem nome: Yangwang U9. Este não é apenas um carro, é uma declaração de intenções da BYD, mostrando que o jogo virou.

Interior de um carro elétrico de luxo com painel moderno.
O interior sofisticado do Yangwang U9, combinando luxo e tecnologia. (Fonte: Desconhecida)

Estamos falando de uma máquina que não só deixa uma Ferrari comendo poeira na aceleração, mas que também... dança e salta! E, como se não bastasse, ele guarda um segredo na forma de uma versão ainda mais extrema, que vamos revelar no final e que reescreveu os livros de recordes.


O que é esse tal de Yangwang U9?

Primeiro, vamos entender o nome. "Yangwang" significa "olhar para cima" em chinês, e resume perfeitamente a ambição da BYD com sua nova divisão de ultraluxo e altíssimo desempenho. E o U9 é a joia da coroa.

Carro esportivo Yangwang U9 na pista de corrida.
Yangwang U9 demonstrando desempenho impressionante na pista de corrida. (Fonte: Desconhecida)

Na sua versão, digamos, "padrão", o U9 já é um absurdo. Equipado com quatro motores elétricos, um para cada roda, ele entrega uma potência combinada de 1.305 cv e um torque de 171 kgfm. O resultado? Uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,3 segundos.

Para colocar isso em perspectiva, a aclamada Ferrari SF90 Stradale cumpre a mesma tarefa em 2,5 segundos. Sim, você leu certo. O novato chinês é mais rápido que um dos maiores ícones italianos.


Design de outro planeta (com alguns truques)

Apesar de ser elétrico, o U9 segue a cartilha de design dos hipercarros: é baixo, largo e cheio de linhas agressivas. A equipe de design da BYD, liderada pelo alemão Wolfgang Egger, deu toques de originalidade, como os faróis em formato de C, que eles chamam de “interestelares”.

O carro é uma vitrine de apêndices aerodinâmicos, incluindo um aerofólio traseiro gigante (que é opcional, caso você prefira algo mais discreto). No lugar do vidro traseiro, encontramos "guelras de tubarão" e uma barbatana central, que dão um ar ainda mais exótico. Sem o vidro, como fica o retrovisor? Simples: é uma câmera.

Apresentação de um carro em evento automotivo.
Destaque do Yangwang U9 durante uma apresentação automotiva. (Fonte: Desconhecida)

Mas o detalhe mais legal talvez seja a ausência de maçanetas. Para entrar, basta dar duas batidinhas na porta, um “toc-toc”, e ela se abre sozinha, erguendo-se no estilo borboleta. É um pequeno show a cada entrada e saída.


Por dentro da nave espacial

Ao entrar, a primeira surpresa é o espaço. Por fora, ele parece claustrofóbico, mas por dentro é bem mais confortável do que se imagina para um carro desse porte. Os bancos semi-concha abraçam o corpo e o acabamento mistura materiais de alta qualidade com um veludo arroxeado, um tanto peculiar para os padrões ocidentais.

O volante de base chata transmite a firmeza necessária, mas o painel de instrumentos digital acaba decepcionando um pouco. Ele parece apagado, pouco inspirado, sem a dramaticidade que se espera de um carro de mais de 1.300 cv. É um detalhe que destoa do conjunto espetacular.


A hora da verdade: como é guiar essa máquina?

Tivemos a chance de acelerar o U9 em uma pista de testes na China. Para completar o cenário, caía uma chuva torrencial. Um carro de 1.305 cv no piso molhado parece a receita para o desastre, certo?

Carro elétrico esportivo movendo-se em alta velocidade.
O Yangwang U9 em ação, destacando sua velocidade e engenharia. (Fonte: Desconhecida)

Errado. Graças à eletrônica que gerencia o torque em cada roda de forma independente e aos enormes pneus Pirelli P Zero, o carro se mostrou surpreendentemente dócil. Mas não confunda docilidade com falta de força.

Ao pisar fundo no acelerador, o que se sente é uma pancada, um empurrão contínuo e silencioso que cola o corpo no banco. É uma onda de força que só os elétricos mais potentes conseguem entregar. Apesar de pesar quase 2.500 kg (muito por conta das baterias), ele muda de direção com a agilidade de um felino, sem dar qualquer sinal do seu peso.


O show à parte: o carro que dança e salta

O grande segredo por trás da agilidade e do conforto do U9 é sua suspensão inteligente, chamada DiSus-X. Esse sistema hidropneumático é tão avançado que praticamente elimina a rolagem da carroceria nas curvas, mantendo o carro nivelado o tempo todo.

E é aqui que a mágica acontece. Essa mesma tecnologia permite que o carro faça coisas que parecem saídas de um filme:

  • Saltar: Ele pode se elevar em 75 mm em meio segundo para passar por obstáculos ou até dar pequenos pulos, no melhor estilo Speed Racer.
  • Dançar: Em demonstrações, o U9 balança no ritmo da música, como um lowrider americano.
  • Girar: Com o controle individual das rodas, ele consegue girar sobre o próprio eixo, como um tanque de guerra.

É uma papagaiada? Um pouco. Mas é uma demonstração impressionante do nível tecnológico embarcado.


E quando você acha que acabou... surge o U9 Xtreme

Agora, a revelação. Se você achou o U9 impressionante, prepare-se para conhecer seu irmão mais velho e malvado: o U9 Xtreme. Lançado em uma edição limitadíssima de apenas 30 unidades para o mundo todo, este é o carro que realmente veio para quebrar recordes.

Dois carros esportivos em uma pista durante o pôr do sol.
Modelos U9 em edição especial, destacando-se na pista. (Fonte: Desconhecida)

Os números são de outro universo. Com uma arquitetura elétrica de 1.200V (a maioria dos esportivos usa 800V) e motores recalibrados, o U9 Xtreme entrega mais de 3.000 cv de potência. Com tudo isso, ele alcançou a marca de 496,22 km/h, tornando-se oficialmente o carro de produção em série mais rápido do mundo, superando o lendário Bugatti Chiron Super Sport.

Não satisfeito, ele também foi para a Alemanha e se tornou o primeiro carro elétrico de produção a completar uma volta no temido circuito de Nürburgring em menos de 7 minutos.


No fim das contas, o Yangwang U9 é muito mais do que números em uma ficha técnica. Ele é um marco. Pode não ter o som visceral de um motor a combustão, sendo uma experiência mais “clínica” e eficiente do que “emocional” como uma Ferrari. Mas a força bruta, a tecnologia de ponta e a audácia de um projeto como este criam um novo tipo de emoção. Afinal, qual outro hipercarro pode comemorar uma vitória com uma dancinha?

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