Imagine contar para um amigo, alguns anos atrás, que o carro de produção mais rápido do mundo seria chinês e elétrico. Provavelmente, ele daria uma risada. Pois bem, essa realidade chegou e tem nome: Yangwang U9. Este não é apenas um carro, é uma declaração de intenções da BYD, mostrando que o jogo virou.

Estamos falando de uma máquina que não só deixa uma Ferrari comendo poeira na aceleração, mas que também... dança e salta! E, como se não bastasse, ele guarda um segredo na forma de uma versão ainda mais extrema, que vamos revelar no final e que reescreveu os livros de recordes.
Primeiro, vamos entender o nome. "Yangwang" significa "olhar para cima" em chinês, e resume perfeitamente a ambição da BYD com sua nova divisão de ultraluxo e altíssimo desempenho. E o U9 é a joia da coroa.

Na sua versão, digamos, "padrão", o U9 já é um absurdo. Equipado com quatro motores elétricos, um para cada roda, ele entrega uma potência combinada de 1.305 cv e um torque de 171 kgfm. O resultado? Uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,3 segundos.
Para colocar isso em perspectiva, a aclamada Ferrari SF90 Stradale cumpre a mesma tarefa em 2,5 segundos. Sim, você leu certo. O novato chinês é mais rápido que um dos maiores ícones italianos.
Apesar de ser elétrico, o U9 segue a cartilha de design dos hipercarros: é baixo, largo e cheio de linhas agressivas. A equipe de design da BYD, liderada pelo alemão Wolfgang Egger, deu toques de originalidade, como os faróis em formato de C, que eles chamam de “interestelares”.
O carro é uma vitrine de apêndices aerodinâmicos, incluindo um aerofólio traseiro gigante (que é opcional, caso você prefira algo mais discreto). No lugar do vidro traseiro, encontramos "guelras de tubarão" e uma barbatana central, que dão um ar ainda mais exótico. Sem o vidro, como fica o retrovisor? Simples: é uma câmera.

Mas o detalhe mais legal talvez seja a ausência de maçanetas. Para entrar, basta dar duas batidinhas na porta, um “toc-toc”, e ela se abre sozinha, erguendo-se no estilo borboleta. É um pequeno show a cada entrada e saída.
Ao entrar, a primeira surpresa é o espaço. Por fora, ele parece claustrofóbico, mas por dentro é bem mais confortável do que se imagina para um carro desse porte. Os bancos semi-concha abraçam o corpo e o acabamento mistura materiais de alta qualidade com um veludo arroxeado, um tanto peculiar para os padrões ocidentais.
O volante de base chata transmite a firmeza necessária, mas o painel de instrumentos digital acaba decepcionando um pouco. Ele parece apagado, pouco inspirado, sem a dramaticidade que se espera de um carro de mais de 1.300 cv. É um detalhe que destoa do conjunto espetacular.
Tivemos a chance de acelerar o U9 em uma pista de testes na China. Para completar o cenário, caía uma chuva torrencial. Um carro de 1.305 cv no piso molhado parece a receita para o desastre, certo?

Errado. Graças à eletrônica que gerencia o torque em cada roda de forma independente e aos enormes pneus Pirelli P Zero, o carro se mostrou surpreendentemente dócil. Mas não confunda docilidade com falta de força.
Ao pisar fundo no acelerador, o que se sente é uma pancada, um empurrão contínuo e silencioso que cola o corpo no banco. É uma onda de força que só os elétricos mais potentes conseguem entregar. Apesar de pesar quase 2.500 kg (muito por conta das baterias), ele muda de direção com a agilidade de um felino, sem dar qualquer sinal do seu peso.
O grande segredo por trás da agilidade e do conforto do U9 é sua suspensão inteligente, chamada DiSus-X. Esse sistema hidropneumático é tão avançado que praticamente elimina a rolagem da carroceria nas curvas, mantendo o carro nivelado o tempo todo.
E é aqui que a mágica acontece. Essa mesma tecnologia permite que o carro faça coisas que parecem saídas de um filme:
É uma papagaiada? Um pouco. Mas é uma demonstração impressionante do nível tecnológico embarcado.
Agora, a revelação. Se você achou o U9 impressionante, prepare-se para conhecer seu irmão mais velho e malvado: o U9 Xtreme. Lançado em uma edição limitadíssima de apenas 30 unidades para o mundo todo, este é o carro que realmente veio para quebrar recordes.

Os números são de outro universo. Com uma arquitetura elétrica de 1.200V (a maioria dos esportivos usa 800V) e motores recalibrados, o U9 Xtreme entrega mais de 3.000 cv de potência. Com tudo isso, ele alcançou a marca de 496,22 km/h, tornando-se oficialmente o carro de produção em série mais rápido do mundo, superando o lendário Bugatti Chiron Super Sport.
Não satisfeito, ele também foi para a Alemanha e se tornou o primeiro carro elétrico de produção a completar uma volta no temido circuito de Nürburgring em menos de 7 minutos.
No fim das contas, o Yangwang U9 é muito mais do que números em uma ficha técnica. Ele é um marco. Pode não ter o som visceral de um motor a combustão, sendo uma experiência mais “clínica” e eficiente do que “emocional” como uma Ferrari. Mas a força bruta, a tecnologia de ponta e a audácia de um projeto como este criam um novo tipo de emoção. Afinal, qual outro hipercarro pode comemorar uma vitória com uma dancinha?
Como podemos melhorar ainda mais?
Como podemos melhorar?