Imagine um carro elétrico, espaçoso como um SUV médio, recheado de tecnologia e com um preço que faz você olhar duas vezes para a etiqueta dos SUVs a combustão mais vendidos do país. Parece bom demais para ser verdade? Pois essa é a proposta do GWM Ora 5, que chega ao Brasil por R$ 159.000 para desafiar diretamente modelos como VW T-Cross, Honda HR-V e o futuro Toyota Yaris Cross.

Mas a ousadia da GWM não para nos concorrentes de outras marcas. O Ora 5 é tão completo e competitivo que pode acabar criando um “problema” dentro da própria casa, colocando em risco o futuro de seu irmão menor. Fique até o final para entender essa história.
Vamos ser sinceros: o preço é o que mais chama a atenção aqui. Por R$ 159 mil, o Ora 5 entra em uma faixa onde muitos ainda estão escolhendo seus carros a gasolina. A estratégia é clara: oferecer mais por menos e convencer quem nunca pensou em ter um elétrico de que a hora pode ser agora. Além de ser mais barato que as versões topo de linha dos rivais a combustão, ele também é R$ 10.000 mais em conta que seu irmão, o hatch Ora 03.

Se você olhar as fotos, pode pensar que ele é um carro compacto. Mas os números não mentem. Com 4,47 metros de comprimento e 2,72 m de entre-eixos, o Ora 5 tem dimensões superiores às de SUVs médios consagrados, como o Jeep Compass e o Toyota Corolla Cross. Isso se traduz em um espaço interno surpreendente. E com 17,5 cm de distância do solo, ele encara as valetas e lombadas do dia a dia sem sustos.
O design segue a linha do Ora 03, com uma carroceria de linhas arredondadas e lisas. A frente é marcada pelos faróis redondos, que dão um ar simpático, quase retrô. Já a traseira é mais polêmica: as luzes de posição e freio ficam embutidas no vidro, enquanto as setas e a luz de ré estão lá embaixo, no para-choque. É diferente, sem dúvida. Um detalhe legal é o limpador traseiro, escondidinho sob o aerofólio.

Se o exterior pode gerar discussões, o interior do Ora 5 busca o consenso. E que interior! O acabamento é caprichado, com quase nenhuma parte em plástico rígido visível. O painel e as portas dianteiras têm material emborrachado, e uma faixa central com revestimento sintético canelado dá um toque de requinte. A GWM ainda personalizou o ambiente: carros pretos ou cinzas vêm com interior preto e detalhes em bronze, enquanto os brancos e azuis ganham um interior claro com uma charmosa estampa xadrez.
O destaque tecnológico fica por conta das duas telas gigantes: uma de 10,25 polegadas para o painel de instrumentos e outra, enorme, de 14,6 polegadas para a central multimídia, que tem conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto. Encontrar a posição ideal para dirigir também é fácil, graças aos ajustes elétricos dos bancos dianteiros (com memória para o motorista) e à regulagem de altura e profundidade do volante.

Graças ao entre-eixos generoso, quem viaja no banco de trás vai muito confortável. O espaço para as pernas é excelente, permitindo levar até três pessoas sem aperto. Para completar o conforto, há saídas de ar-condicionado e até um compartimento climatizado de 3,2 litros no console traseiro, perfeito para manter uma bebida fresca. O porta-malas leva 362 litros, um bom volume para a categoria.
A GWM realmente caprichou na lista de itens de série do Ora 5. É tanta coisa que parece até mentira pelo preço cobrado. Se prepare:

O Ora 5 é movido por um motor elétrico dianteiro de 204 cv e 26,5 kgfm de torque. Isso o leva de 0 a 100 km/h em rápidos 7,7 segundos. Para comparar, o Ora 03 tem 171 cv e cumpre a mesma prova em 9 segundos. Uma diferença bem perceptível no dia a dia.
A bateria é a mesma do hatch, com 58,3 kWh, mas a autonomia no SUV é maior: são 349 km no ciclo PBEV do Inmetro, contra 315 km no Ora 03. Essa eficiência extra, mesmo em um carro maior e mais pesado, é um grande ponto a favor do SUV.

Agora vamos voltar àquela questão do início. O GWM Ora 5 é maior, mais espaçoso, mais potente, tem mais autonomia, é mais equipado e... custa R$ 10.000 a menos que o Ora 03. Diante de um cenário desses, fica a pergunta no ar: qual seria o motivo para alguém ainda escolher o hatch?
A GWM, por enquanto, não comenta sobre o futuro do seu primeiro elétrico no Brasil. Mas a chegada do Ora 5, com um pacote tão superior e um preço tão agressivo, parece ter criado um “problema” delicioso para a marca e uma opção fantástica para o consumidor. Ele não apenas desafia os SUVs a combustão, mas redefine a própria linha da GWM, mostrando que a era elétrica pode ser, sim, espaçosa, potente e, o melhor de tudo, muito mais acessível do que imaginávamos.
Como podemos melhorar ainda mais?
Como podemos melhorar?